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Carlos Mendes

Carlos Mendes

A melhor maneira de descrever Carlos Mendes, seria dizendo que é um apaixonado pela natureza, pelo mar, pela aventura, pela paz de espírito, pela adrenalina – em suma, um apaixonado pela vida! Com apenas 37 anos, a sua história de vida é tão vasta e preenchida que mais parece estarmos a falar com alguém que já viveu duas vezes.

 

 

Instrutor de mergulho e skipper de profissão, desportista de coração, Carlos nasceu e vive num dos maiores paraísos do planeta, plantado no meio do oceano atlântico: a ilha das Flores, um local que afirma conhecer como a palma da sua mão, tanto acima como abaixo da linha do mar. A Outdoor esteve nas Flores com Carlos, passeou no seu barco pela ilha, fotografou os mais belos nasceres e pores do sol e percebeu, ao vivo e a cores, porque é que ele assegura que jamais abandonará a terra, nem o mar, onde nasceu.

Apesar de ter crescido numa ilha, não se pode dizer que a paixão pelo mar tenha vindo de geração em geração. Embora a sua mãe tenha nascido na ilha de S. Miguel e o pai na ilha Terceira, nenhum dos dois tem uma grande ligação ao mar. Este foi um interesse que nasceu com Carlos. “Quando era pequeno adorava ver os programas do Jacques Cousteau. Muitas vezes estava à espera que o programa começasse e, de repente, o tempo na ilha piorava e a televisão começava a dar a preto e branco, perdia o som ou, pura e simplesmente, ficava toda aos riscos e não se conseguia ver nada. Era uma frustração para quem ficava uma semana inteira à espera daquele momento”, relembra Carlos.

Mas Carlos não se limitava a ser um mero espectador dos programas que povoavam a sua imaginação de criança. “Nessa altura, eu e os miúdos aqui da ilha, íamos para o porto de pesca e tentávamos imitar o mergulho de garrafas. Metíamos umas mangueiras nas bóias para tentar chegar a, pelo menos, um metro de profundidade. Hoje percebo que isso é impossível por causa da pressão mas, na altura, parecia que tudo funcionava”.

Tentativas frustradas à parte, Carlos aventurou-se a sério pelo mar quando teve o seu primeiro barco. “Vinha um veleiro das caraíbas, que fundeava na baia de Santa Cruz e, certa vez, com falta de alimentos, negociou com o meu pai trocar comida por um barquinho pequeno de fibra. O barco, com um motor de dois cavalos, pouco andava, mas permitiu-me ter uma maior autonomia para explorar a ilha.”

A partir daí, Carlos tornou-se um autodidata e começou a explorar uma série de vertentes de desporto aquático, uma delas o mergulho. “Ninguém praticava ou ensinava mergulho, e como os meus pais não tinham qualquer ligação ao mar, não me apoiaram muito nesta aventura. Lembro-me de vestir umas t-shirts e uns fatos de treino, o mais justos possível, para evitar a queimadura de uma alforreca. Estava dez minutos dentro de água e meia hora em cima de uma rocha a tremer de frio e a ver se o sol me aquecia.

Lê a entrevista a Carlos Mendes por Magali Tarouca na Revista Outdoor nº3

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