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Ângelo Felgueiras

Ângelo Felgueiras

Aos 47 anos, Ângelo reivindica-se aventureiro por vocação, e piloto por opção: «Acho graça a ser agora chamado de piloto alpinista. Um dos meus irmãos, quando era criança queria ser bispo aviador.

 

 

 

 

Um dos meus filhos quer ser surfista, tenista e capitão da Força Aérea. Eu agora sou piloto alpinista, o que já não é mau!…» É com ironia que o ex-piloto da Força Aérea assume o actual rótulo mediático, depois de ter ganho notoriedade nacional durante os seis anos em que foi porta-voz e presidente do Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC). Desses tempos de luta, o piloto da TAP guarda as mesmas convicções e determinação. «Em 1998, fizemos uma greve que tinha como única reivindicação o direito a negociar. Não estava em causa nada que não fosse um princípio, e por um princípio, ia e vou até ao fim do mundo. Qualquer classe profissional tem direito a decidir as condições de trabalho. A mediatização desse conflito deu-me naturalmente visibilidade, com vantagens e desvantagens… Mas actualmente, já me reconhecem mais pelas montanhas,e sobretudo pela minha actividade com instituições carenciadas».

OS 7 CUMES
As montanhas e projecto dos 7 Cumes surgiram por acaso, e já tardiamente na vida de Ângelo. «Nunca tinha ido ás montanhas até 1997, quando subi o Kilimanjaro (a montanha mais alta de África), a convite de uns amigos. Mas foi só em 2004, já com 40 anos, é que fui a uma montanha com consciência – o Aconcágua (6.962m), na América do sul.» Sem sonhar ainda com um futuro nas alturas, fora do circuito da aviação, em 2002, e inspirado na Volta ao Mundo em bicicleta de Filipe Palma, - que Ângelo considera o maior aventureiro português-, o piloto resolveu dar uma volta de bicicleta na Patagónia. Quando descia de avião para Santiago do Chile, a visão do Aconcágua mudou a sua vida:«Desafiei os três amigos que estavam comigo a tentar escalá-lo. Riram-se, mas dois anos depois, em 2004, lá fomos, e posso dizer que foi aí que comecei a gostar da Aventura que a montanha proporciona…»
O conhecimento do projecto 7 Summits deu-se finalmente quando pisou em 2005 o cume do Elbrus (5.633m), o ponto mais alto da Europa; em conversa com outros alpinistas, perguntaram-lhe se, com 3 cumes em 3 continentes, - Kilimanjaro em África, Aconcágua na América do Sul e Elbrus na Europa-, tencionava completar o circuito iniciado na década de 80 do século XX pelo americano Dick Bass.
Reconhecendo que não dominava ainda a alta montanha, Ângelo inscreveu-se num curso de técnicas de sobrevivência em glaciares, na Alasca Mountaneering School. Gostou tanto do curso que resolveu voltar no ano seguinte, e com os mesmos guias, acabou por escalar o Denali ou McKinley (6.195m), o cume mais alto da América do Norte.«Ganhei confiança, e fiquei com a sensação que era capaz de ir mais alto e mais longe!»

2 CUMES ESPECIAIS
Ainda hoje, e dos seis cumes já alcançados, Ângelo guarda recordações especiais do Denali (O Grande, na língua local). Com temperaturas entre os 10º C e -40ºC, ventos superiores a 100km/h e uma marcha de aproximação de 65 km, é considerada pelos especialistas uma das montanhas  mais duras do mundo. Conquistar este cume situado a uma latitude elevada, acima dos 63 graus Norte, tem semelhanças com uma expedição aos pólos. As tendas são protegidas com blocos de gelo, e na progressão, os alpinistas montam depósitos de mantimentos para assegurar a sobrevivência no regresso.
Nas memórias recentes está também o dia 17 de Maio de 2010, quando atingiu o Evereste (8.848m), o cume mais alto do mundo e dos 7 Summits. «Foi o mais difícil de todos, e foi duro por causa do tempo passado acima dos oito mil metros porque obriga a uma grande disciplina e capacidade de sofrimento só para sobreviver».

Ângelo Felgueiras Ângelo Felgueiras

FAMÍLIA E TEMPOS LIVRES
Pelos perigos e preparação necessária, os alpinistas não envolvem normalmente a família na aventura, mas Ângelo envolveu já a mulher e os 3 filhos na etapa final dos 7 Cumes. «Basicamente apoiam-me. Sem eles nunca teria sido capaz de ir onde já fui!»
A experiência máxima aconteceu no início da expedição ao Everest onde a família Felgueiras fez 130 Km a pé entre os 2000 e os 5200m, e acompanhou o pai aventureiro até ao acampamento-base e ao glaciar de Khumbu. «Foram 15 dias sem eletricidade, casa de banho e água corrente. Se tivesse ido ao Nepal com a idade deles, não sei como teria sido a minha vida!» Manuel de 15 anos, Francisco de 11, e Teresa de 9, irão no final deste ano receber o pai a Punta Arenas, no Chile, no regresso da Antárctida.

Lê o perfil de Ângelo Felgueiras por Aurélio Faria na Revista Outdoor nº1

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