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João Marques

João Marques

Já com um curriculum invejável, João Marques, com apenas 19 anos é hoje atleta português profissional de esqui aplino. Depois da sua presença no campeonato Mundial de esqui Alpino, a equipa da Revista Outdoor esteve com João Marques numa conversa informal de partilha de experiências, onde quisemos saber mais sobre esta sua paixão pela modalidade de esqui. Um talento inconfundível e muita força de vontade são palavras-chave que caracterizam este jovem português. Por Sofia Carvalho


Como surgiu o teu gosto pelo esqui alpino?
Desde pequeno que tive contacto com a neve não só por viver na Covilhã mas também por desde muito pequeno ir para Andorra com a família nos períodos de férias.

Com que idade iniciaste a modalidade?
Foi com 4 anos que dei o primeiro passo no esqui, os meus pais inscreveram-me na escola de esqui Andorrana e foi assim que o esqui entrou para a minha vida. Depois de aprender, na época de Inverno fazia também esqui na Serra da Estrela e tinha sempre um grande prazer enquanto esquiava e uma grande vontade de “andar mais rápido que os outros nas pistas”. Mais tarde com cerca de 14 anos comecei a ter os primeiros contactos com o mundo da competição.

Soubemos que quando eras criança tinhas receio da neve. Como conseguiste superar este obstáculo?
No início tinha algum receio em criança, sim pois era normal. Se virmos quando somos crianças necessitamos dos nossos pais porque temos receios até das mais pequenas coisas e temos de nos esconder atrás das pernas deles. A neve para uma realidade como a portuguesa é algo de estranho que nos faz ter aquele famoso receio do que é diferente e novo. Contudo com habituação deixou de ser receio e passou a ser paixão.

Como atleta da selecção nacional de esqui alpino, como é que consegues conciliar o desporto com os estudos?
Para além de passar muito tempo do ano fora de casa e longe das pessoas que gosto, viver em sociedades diferentes da nossa ao princípio criaram dificuldades de adaptação. Por vezes a comida não é ao nosso gosto, outras vezes pequenas doenças sem termos o conforto do lar. Mas sem dúvida que uma das maiores dificuldades passa por ligar a vida académica e o desporto, pois durante o inverno acabo por perder muitas aulas e sou prejudicado nas notas. Ainda assim considero-me um bom aluno e tenho conseguido da melhor maneira possível atingir os objectivos nos dois campos. Actualmente estou a passar por uma nova experiencia que é o ensino superior e esse nome é sinónimo de dificuldades acrescidas. Estou a estudar Direito na Universidade de Lisboa. Contudo, espero continuar a conseguir conciliar, pois não queria deixar nenhuma das duas coisas de lado.

Além do esqui, praticas outro tipo de desporto?
Em competição só pratico esqui. Mas regularmente pratico ténis e sou um grande fã da modalidade.

Quais são as tuas perspectivas futuras?
Continuar a ter sucesso no desporto e também a nível académico, que é o que considero fundamental hoje em dia. A nível desportivo espero conseguir ter melhores prestações que nos anos anteriores. E tentar a qualificação para os Jogos Olímpicos de 2014. A nível universitário concluir o meu curso sem problemas.

Qual foi a tua mais recente participação nas competições de esqui?
Campeonato Mundial de Esqui Alpino em Fevereiro de 2011 na Alemanha (Garmisch Partenkirchen) onde terminei como 122º melhor esquiador de Slalom Gigante do mundo.

Já te encontras a preparar os jogos Olímpicos de inverno de 2014, na Rússia?
Os jogos Olímpicos são realmente o auge da vida de um atleta mas também o fruto de muito trabalho. Pessoalmente, eu costumo dizer que “nós chegamos ao cume de uma montanha se subirmos muito, transpirarmos e trabalharmos. Se não estivermos preparados para isso é melhor continuar a preparação para essa subida ou parar por ai”. Eu sinto-me preparado para no mínimo tentar o que é muito difícil, pois nunca nenhum Português o fez antes. Espero até 2014 fazer bons resultados que me permitam ver Sochi mais perto.

Qual é o teu conselho para quem gostaria de iniciar a modalidade de esqui alpino?
Na minha opinião criar atletas em modalidades de inverno que sejam competitivos é uma tarefa acrescida mas possível. É necessário que sejam criados programas como o actual programa “Brincar na neve” da Federação de Desportos de Inverno, que tem como objectivo iniciar crianças nos desportos de inverno e dar-lhes gosto pelas modalidades. Será também necessário fazer treinos específicos e técnicos com bases na competição para esses jovens mais tarde terem uma melhor adaptação á competição na “neve”. Refiro este pormenor de “neve” pois hoje em dia e principalmente em Portugal existe uma ideia deturpada de que esquiar em tapetes sintéticos pode de alguma forma desenvolver qualidades nos esquiadores, o que está provado pelos técnicos com quem tenho trabalhado, ser um erro. É impossível fazer angulações e movimentos que só é possível fazer na neve (é como comparar hóquei em patins e hóquei no gelo). Para quem quiser simplesmente aprender a fazer esqui de “lazer” pode sempre procurar um professor de esqui devidamente habilitado para que lhe possa dar as primeiras luzes em pista. Quem tiver possibilidade de o fazer nos Alpes é a melhor aposta pois, são pessoas extremamente competentes e com muita experiência em todas as faixas etárias.

Como atleta profissional, como é o teu dia-a-dia?
Actualmente participo em provas, competições entre as quais mundiais e trabalho sempre com o maior profissionalismo. Mas, infelizmente em Portugal, não só no esqui mas também em outros desportos não é possível ser considerado profissional. Na realidade sou um “amador” no meio de profissionais quando represento o meu país. A minha rotina de treino é bastante dura. Vou exemplificar com os treinos na Áustria. Por volta das 6:00h - acordar, 6h30 – Corrida matinal de 15 min, 7h00 – Pequeno-almoço, 7h30 – Preparar material para treino em pista (roupas etc.), 8:00 – Estância, 8:30h – reconhecimento do traçado e início do treino, 13h00 – Almoço, 15h00 – treino Físico (Ginásio, exercícios específicos, prática de um outro desporto, coordenação), 18h00 – Análise de Vídeo 30min, 18h30- Preparação dos esquis para o dia seguinte (afiar arestas, limpeza, ceras), 19:30h – Jantar, 20h30/21h00 – Dormir
E para um dia que parece ser tão grande pouco me resta. (Por vezes chego a adormecer quando tento colocar a expressão “estudar” nesta rotina)

CV João Marques

Data de nascimento: 14 de Abril de 1992
Estado Civil: Solteiro
Naturalidade: Covilhã
Residência: Covilhã
Formação Académica: Frequência Universitária no curso de Direito na Universidade de Lisboa.

A nível Nacional
1º No Optimus Ski Open - 2007
1º Taça Lisboa do trofeu das comunidades Portuguesas - Suíça - 2008
4º Taça Serra da Estrela do troféu das comunidades Portuguesas - Suíça - 2008
10 Presenças em pódio em campeonatos nacionais (5 Vitórias)
Campeão Nacional 2009/2010 em todas as modalidades
Vice-campeão Nacional 2010/2011

A nível Internacional
15 Internacionalizações por Portugal em escalões inferiores a 15 anos.
- Todas as maiores competições de sub-15 do mundo
Trófeu Topolino
Trófeu Borrufa
Trófeu Zagales
Trófeu La Scara
 
- 2 partidas em campeonatos do mundo
- 5 partidas em campeonatos do mundo de Juniores
- 2 partidas em Festivais Olímpicos da Juventude
- 25 corridas internacionais concluidas
- 79 Participações em corridas internacionais
- primeiro resultado no top 50 Português em Mundiais
- primeiro resultado masculino no top 20 Português em provas FIS
- primeiro Português a ser sseleccionado pela Federação para um programa de AID&PROMOTION
- Melhor pontuação FIS de sempre de todos os atletas Portugueses

Leia a entrevista a João Marques na Revista Outdoor nº2

Saiba mais sobre o João Marques : www.joaomarques.wordpress.com

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