GR-14 Rio Douro - Da Nascente até a Foz
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“Este não é o rio que passa na minha aldeia” *; este é o rio que atravessa o meu país; este é o rio que vem de longe e tudo transformou por onde passou, além disso, estrutura e dá nome às inúmeras povoações que ao longo das suas margens vão ganhando vida.
É um grande corredor verde que constitui um imemorável espaço de lazer e desporto aliado a um valor histórico, natural e cultural, desde o seu nascimento até ao monumental cenário em Portugal.
Pedalando junto ao Douro - que serpenteia entre arribas e que sulca montes xistosos - estamos a percorrer uma das grandes rotas europeias.
*Alberto Caeiro
Burgos - Duruelo de la Sierra - 99km
Inicialmente parecia uma simples ligação por estrada nacional desde a nossa saída do Sud-Express em Burgos até Duruelo de la Sierra.
A nossa surpresa começou com o traçado da via verde espanhola (Santander-Mediterrâneo) por onde pedalámos mais descontraídos; a surpresa continuou com a amplitude térmica sentida e que variou entre os 11º e os 42º C.
As características próprias das searas ondulantes e isoladas de Castela e a noite perdida a viajar, forçou-nos a acreditar que estamos perante mais um desafio.

Duruelo de la Sierra- Soria - 86km
Temos à nossa frente os Picos de Urbión. É lá, a 2140 m que o rio Douro nasce e segue o seu caminho. É para lá o nosso caminho.
Andar a pé faz bem à saúde. Seguir o “sendero” do Douro até onde tudo começou, consumiu-nos a manhã inteira e praticamente o que restava da nossa energia. Fiz calos nas mãos de tanto carregar e empurrar a bicicleta; o sacrifício agora passado foi substituído pelo privilégio de matar a sede no fio de água cristalina que corre daquela montanha.
Com isto tudo apenas tínhamos percorrido 10km; para o restante, haveríamos de arranjar tempo. Estamos a fazer o que gostamos.
A GR-14 mantinha-nos fiéis às margens do Douro. De tempos a tempos, uma pequena aldeia quebrava a quietude do lugar.
Chegar a Soria é reconfortante. Os trilhos marcados revelam-se exequíveis, bonitos e com uma altimetria bastante baixa.
Soria-Berlanga de Duero - Aguilera 117 km
Este rio não molda apenas o relevo, nota-se que toda a arquitectura vai ao seu encontro. Reparamos nos enormes parques arborizados que se dilatam no sentido do seu comprimento e que são usados como zonas de lazer pela população.
Os largos estradões de macadame que caracterizam a etapa de hoje permitem um bom ritmo a pedalar mas são pisos duros e transformam-se numa tortura para quem rola em plano durante demorados períodos. Foi assim até Almazan.
Respira-se um ar medieval em Berlanga del Duero. Dentro das muralhas, tudo está engalanado e o ambiente é de festa e de multidão.
A oferta hoteleira é escassa, encontra-se lotada e neste dia já acumulávamos uma centena de quilómetros. Urge arranjar uma solução. O salvo-conduto para quem faz o Camiño del Cid torna-se a nossa chave para o albergue em Aguilera.

Aguilera -Aranda de Duero – 90km
O cenário mudou, nós continuamos paralelos ao Douro. A solidão dos espaços já se dilui com as vilas amuralhadas que existem para defender os limites naturais do rio.
De Langa del Duero a Aranda del Duero, o percurso é um retrato fiel daquilo que esperávamos desta grande rota europeia. O que não esperávamos era outro dia de “fiesta” e a ausência de alojamento.
Acompanha a continuação desta grande aventura na Revista Outdoor!




