Travessia da Ilha de Skye em bicicleta
Paulo Nascimento convida-nos a entrar numa aventura fantástica em bicicleta... Conheça todos os pormenores e divirta-se na Ilha de Skye!
São 05h00 e já estou em Schiphol, Amesterdão. A esta hora o aeroporto não tem grande movimento e fiz com facilidade o meu check in e o da bicicleta. Como viajo com a KLM isto implica um pagamento adicional de 40 Euros.
Enquanto esperava pela minha vez, conversei com um viajante Siciliano e aprendi mais um “truque”, muito útil a quem viaja com a bicicleta numa caixa.
Para se poupar uns euros e não correr o risco de ultrapassar os 20 kg definidos, deve fazer-se primeiro o check in da bike sem caixa, pedindo no balcão os autocolantes de identificação de bagagem respectivos. Antes de a entregar na porta das bagagens fora do formato, coloca-la na caixa devidamente acondicionada. Para termos uma noção, cada caixa pesa aproximadamente 4,5 kg.
As previsões meteorológicas para a ilha de Skye nos dois primeiros dias não são nada animadoras. Aguaceiros fortes e vento de sul com intensidade de 40 km/h, é o cenário que me espera neste início de aventura. Ainda assim motivação não falta para cumprir o objectivo.
Ao contrário do que inicialmente previa, desta vez viajo sozinho, pois um contra tempo de última hora deixou em terra um companheiro de viagem.
O voo foi de duração curta (1h20) e não teve atrasos, o que permitiu chegar a Glasgow às 08h25.
Desembarquei, passei o controlo policial e troquei euros para libras. Não passaram mais de 10 minutos para que a caixa da bike e os alforges já andassem a rodar na passadeira de recolha de bagagens.
A montagem da bike tomou-me algum tempo pois tive inevitavelmente que validar todos os apertos, montar guarda-lamas, encher os pneus, efectuar ajustes na fixação dos alforges, lubrificar a transmissão, etc.

Glasgow – Mallaig
Com tudo pronto, chegava na hora de partir. Pedalei cerca de 2km para apanhar o comboio em Paisley Gilmour Street, para Glasgow Central. Na porta de saída do aeroporto encontram-se com facilidade as indicações da ciclovia para o centro da cidade, apenas há que redobrar a atenção, pois aqui circula-se pela esquerda.
Para chegar a Mallaig nas Highlands a opção mais “rápida” e económica é mesmo o comboio, no entanto é obrigatório efectuar 2 transbordos, um em Glasgow Central e outro em Dalmuir com todos os inconvenientes que isso acarreta para quem vai carregado. Ao comprar o bilhete online em www.firstgroup.com/scotrail, reservei um espaço na carruagem para a bike, sem ter que efectuar qualquer pagamento adicional.
Até Dalmuir, viajei em comboios sub-urbanos em que não existem lugares marcados. Ao longo de 5 horas de viagem, o comboio vai serpenteando entre as montanhas, vales profundos, quedas de água, grandes lagos, …, cenários de grande beleza natural! Por sorte consegui lugar à janela o que me proporcionou excelentes imagens.
Até Fort William tudo rolava às mil maravilhas até que, a velhinha automotora a diesel resolveu parar no meio da linha e não queria trabalhar. Depois de mais de uma hora sem qualquer tipo de informação, lá arrancou muito devagarinho chegando a Mallaig com bastante atraso. Muitos passageiros iam hoje para a ilha no ferry, mas como perderam a ligação por motivo do atraso tiveram que ficar em terra e procurar alojamento.
O vento sopra fortíssimo em Mallaig e já começou a chover. Encontrado o local de pernoita, o resto do dia resume-se a um duche quente, jantar e cama que amanhã o dia promete.

Mallaig – Armadale – Glenbrittle
O acolhimento que tive por parte da família Giles foi fantástico e logo pela manhã Sue e Tony preparam-me um pequeno-almoço tipicamente Scottish, carregado de calorias. Na Escócia a melhor opção de alojamento é definitivamente os B&B, onde o ambiente familiar é partilhado com os hóspedes.
Esta manhã percebi perfeitamente o porquê de outros companheiros de viagem muitas vezes me comentarem que demoram cerca de 1 hora para arrumar tudo nos alforges para sair. Foi mais ou menos o que demorei, pode até parecer muito, mas é necessário acondicionar bem as coisas e colocar mais à mão o material que se vai precisar durante o percurso.
Após as despedidas, dirigi-me para o porto de pesca, comprei o bilhete (3,5 + 1,15 libras para a bicicleta) e embarquei no primeiro ferry do dia para a ilha (09h00).
Conforme a previsão meteorológica, o vento sopra do com grande intensidade do quadrante sul.
Trinta minutos são quanto basta para atracarmos em Armadale. Apesar do vento, o tempo está ameno e não perdi muito tempo até começar a pedalar. Curta paragem no castelo de Armadale para uma foto e continuei a bom ritmo bordeando a costa, passando por Kilbed, Teangue, e Islearnsay.
Para primeira paragem escolhi Boardford, por ser uma vila com condições para me abastecer de víveres.
Acompanha a continuação desta grande aventura na Revista Outdoor!




